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Biografia João Maria Bravo

Percurso como caçador e atirador apaixonado

A história da Caça em Portugal no século XX, como todas as histórias, estará incontornavelmente ligada a alguns nomes que a escreveram e ditaram em nome de todos os caçadores, que para ela agiram e contribuíram através da sua representação e preservação. Uns deles por vivências, recordes, aventuras reais, viagens e jornadas irrepetíveis, outros pela sua defesa, legislação, pelo dar a cara, pela causa maior, porém todos juntos, pela sensação única de prazer que a caça lhes conferiu.

Em destaque, nessa lista de protagonistas, estará certamente, o nome de João Maria Bravo, pela sua escrita e determinação literária na defesa do culto da Caça e da Natureza, pela nobreza de espírito e actos corajosos, mas mais ainda pela sua espantosa pontaria e paixão inveterada por tudo o que da Caça advinha.

Em destaque, estará certamente, o nome de João Maria Bravo, pela sua escrita e determinação literária na defesa do culto da Caça e da Natureza, pela nobreza de espírito e actos corajosos.

João Bravo Jr

João Maria Bravo começou a caçar quando ainda usava calções, no Freixial na zona de Bucelas e desde muito cedo despoletou uma verdadeira admiração pelo campo, os animais e sobretudo pelo ensino dos cães de caça.

Foi aos 12 anos, ao acompanhar o seu pai, Alberto Maria Bravo, nas suas típicas saídas a salto numa tarde de Domingo, que cometeu o acto que o viria encantar para todo sempre: o caçar da sua primeira perdiz, com uma Liegoise Calibre 20.

Momento este, que ainda hoje recorda com saudade, e que veio desencadear uma serie de acontecimentos, a par de uma filosofia e uma postura muito própria, na sua vida pessoal e profissional futura!

A partir dessa altura, começou a caçar incessantemente em terreno livre, com o seu Pai e seu irmão António Maria, dois anos mais novo, alcançando quase sempre a marca de 10 perdizes por Domingo, cada um.

Na sua juventude, os dois irmãos, acompanhados sempre de outros inúmeros companheiros de caça, percorriam Portugal de lés a lés à procura das perdizes mais bravas. Descobriram a Serra de Mértola, junto ao Algarve, onde as perdizes apanhavam chumbo e não caiam e onde o mato e as escarpas, faziam de uma perdiz caçada e cobrada, uma vitória imensurável.

(Tal foram as boas memórias daquele lugar e daqueles tempos, que mais tarde se viriam a sediar por essa região, com a compra de uma propriedade chamada Finca Rodilhas, para a organização de caçadas de batida.)

Caçou em todos os cantos do mundo, numa altura em que era raro viajar, quanto mais viajar para caçar!

João Bravo Jr

Caçador entusiasta desde muito cedo e treinador de inúmeros cães das mais variadas raças, rapidamente se torna uma referência a nível nacional como caçador de salto e treinador de perdigueiro português. É considerado em muitos lugares do antigo Alentejo e Algarve rurais, como dos melhores caçadores que por lá teria passado e a par com o seu irmão, juntavam adeptos das mais variadas idades e rapidamente deitavam por terra a fama de qualquer outro caçador profissional local, que os desafiava a fazer-lhes frente.

Gostava de qualquer tipo ou espécie de caça, fossem eles quais fossem, porém teve sempre como predilecto a caça à perdiz de salto.

Caçou em todos os cantos do mundo, numa altura em que era raro viajar, quanto mais viajar para caçar! Das grandes caçadas que teve o privilégio de ingressar, destacam-se os safaris em Moçambique em 1967 e em Angola em 1972, tal como, a caça ao urso na Ex-União Soviética.

Naquela altura em África, as jornadas de caça prolongavam-se por muito mais tempo, devido aos escassos meios de transporte. João Maria Bravo relata-as como das maiores e mais verdadeiras aventuras da sua vida, descrevendo-as ao pormenor com variadíssimas peripécias, devido a situações que no nosso tempo já não ocorrem, como tendas no mato sem qualquer protecção, jipes que avariavam durante cargas de animais feridos, carabinas sem mira telescópica, e onde um caçador europeu era o único da sua espécie e novidade nas aldeias vizinhas, num raio de milhares de kilometros.

Para Moçambique demorou cerca de 19 horas de avião com duas escalas, ainda movido a hélices, acompanhado apenas pela sua carabina 375 Holland & Holland. No Norte do Pais caçou Elefante, Búfalo e todo o tipo de antílopes, repetindo a façanha em Angola nas “Terras do Fim do Mundo”, no Norte da Namíbia, em condições altamente precárias, mesmo para a altura. Sacrifícios, estes, ultrapassados pelo prazer de caçar e de conviver com a caça no seu ambiente mais genuíno.

Em 1974 ingressa no Norte da União Soviética com o objectivo de caçar um urso pardo. Impossibilitado na comunicação, devido a dificuldades linguísticas de ambas com o guia russo, consegue suprir os seus objectivos, numa epopeia que durou 15 dias, debaixo de temperaturas gélidas, pernoitando numa cabana de madeira, sem qualquer aquecimento. Caçou um urso magnífico, que ainda hoje detém a pele numa sala de sua casa, exclusivamente dedicada a troféus embalsamados e a recordações.

De outras viagens destacam-se também o Grouse na Escócia, os Gansos na Patagónia, o Quale no Texas e os Faisões na Bélgica.

Para além de um excelente caçador, era também um exímio atirador desde muito novo. Na tropa, foi campeão de tiro ao alvo com pistola. Mais tarde, na década de 50 e 60, sagrou-se vencedor da taça de Portugal de tiro aos pombos por duas vezes e no dia em que tinha sido campeão de tiro aos pombos de manhã, concorreu, por mero acaso, na taça de Portugal de skeet, e pela primeira vez em que atirava nesta modalidade, também se sagrou campeão nacional.

Toda esta destreza a atirar e a caçar, deve-se em muito ao incentivo de seu Pai, Alberto Maria Bravo, fundador do Clube de Tiro a Chumbo Português, e Presidente do mesmo durante uma dúzia de anos.

Mais tarde, por altura da mudança do Clube Tiro de Alvalade para Monsanto, também ele toma posse no cargo que em tempos fora de seu Pai, exercendo o cargo de Presidente do Clube durante 36 anos e com uma gestão financeira exemplar, apresentando sempre resultados positivos.

No fim da década de 90 foi considerado Presidente Honorário e usufrui do privilégio de ter uma placa em seu nome na entrada do Clube, título entregue numa cerimónia fantástica com a presença de toda a família e amigos do Clube.

Caçou até aos 76 anos, revelando uma vitalidade e uma forma física impressionantes para a idade, acompanhando de batida e de salto os filhos e os netos durante toda a época, na sua herdade Vale do Manantio em Moura, e ensinando, a cada passo e a cada tiro, a arte de bem caçar a quem o observava.

Caçou até aos 76 anos, revelando uma vitalidade e uma forma física impressionantes para a idade

João Bravo Jr

Nessa altura, deixava sempre os netos atirarem primeiro, pois insistia que lhe dava mais gozo tirar de ferido uma perdiz morta pelos netos com o seu lendário companheiro, Alecrim, um labrador amarelo, que não deixava escapar nenhuma peça no campo, do que propriamente ser ele a caça-la.

Em Abril de 1997, foi apanhado por uma trombose enquanto passava um fim-de-semana na sua herdade, que veio a paralisar o lado direito do seu corpo por completo.

Este acontecimento trágico foi avassalador para a sua alma inquieta, perante a impossibilidade de nunca mais poder agarrar numa espingarda, e fazer o que mais gostava, o que fora a sua paixão e dedicação durante toda uma vida: teve de deixar de caçar.

Porém, e de acordo com a sua personalidade fortíssima e o seu carácter vincado, nunca virou a cara a Caça, e continuo a ser presença assídua nas caçadas do grupo de caçadores de Vale de Manantio com os filhos, os netos, os amigos, os amigos dos filhos e dos netos até aos dias de hoje. Ainda a época passada, perto dos 90 anos, tomou parte em todas as batidas em Moura, obedecendo ao um ritual muito próprio, ficando no jipe, de onde conta os tiros e calcula as médias, surpreendendo tudo e todos em cada enxota, acertando sempre no número de perdizes abatidas!

Percurso como autor de publicações sobre a caça em Portugal e defensor assíduo da caça legislada

Começou como autor muito cedo, pelo gosto e faculdades da escrita e descrição que lhe deram o seu curso de Direito. Após ter tirado o curso, acede a um pedido do Ministério da Educação e escreve um livro para crianças chamado “O Livro do Caçador” que relatava em pequenos contos e «short stories» as boas práticas da caça e a educação que se deve ter enquanto caçador.

No seguimento desta paixão entranhada, e em homenagem ao culto da Caça, em Novembro de 1948 funda a revista «Diana», da qual iria ser director nos próximos 27 anos. Escrevendo verdades sobre a lei da caça, os coutos e os caçadores, foi censurado mais do que uma vez, tanto pelo lápis azul da PIDE como após a revolução, quando decide acabar com a revista em 1975 aquando da invasão dos coutos. Uma luta que manteve como politica, ecologista, legislador, organizador e acima de tudo, um grande defensor da caça.

"Meu Caro João Bravo:

Depois da conversa com o seu irmão recebi a Diana e apressei-me a ler o discutido artigo. Quando cheguei ao fim disse de mim para mim: «Se isto é o artigo com cortes, o que diria ele sem cortes...». Você tem um estilo duro e agressivo e gosta de chamar nomes às pessoas ou aos ... «poderes públicos». O que não acrescenta a razão que possa ter e não favorece o êxito das suas teses. A censura podia não ter cortado nada: mas se num ou noutro caso os cortes são injustificados, noutros creio que lhe prestou um serviço. Tudo se pode dizer: é uma questão de sabê-lo dizer. O estilo contundente, repito, não favorece a civilização necessária no trato entre pessoas que não querem ser selvagens. E não é só selvagem o que mata caça indiscriminadamente... De caça não sei nada - a não ser que dificilmente vejo dois caçadores de acordo sobre os seus problemas. Desculpe a rabujice do seu velho professor que tanto o estima

Assina: MARCELO CAETANO"


Amargurado com o estado do Pais e da forma como foi gerida a libertação da caça, termina a edição da «Diana» na sua edição de Outubro daquele ano, através do seu n.º 255, publicando um artigo intitulado de "Chacina Geral da Caça - no dia da abertura geral", descrevendo-a com a seguinte frase: “em todas as revoluções, a primeira coisa que fez sempre o «povo» foi saltar as cercas das coutadas ou demoli-las, e em nome da justiça social perseguir a lebre e a perdiz.”

E após ter sido multado em 150.000,00$ por uma comissão AD-HOC para a imprensa, põe termos à «Diana» com uma cruz negra na contracapa e uma citação da resposta dada à mesma comissão, que o censurara, onde se valeu das suas razões e concluiu dizendo: "calarmo-nos, por medo, é uma forma de servilismo, uma maneira de morrer, sem razão" e que, "em democracia assim como na vida autêntica o medo não tem lugar".

Em meados de 1966 lança o livro «A Lei da Caça» que acaba também por ser censurado pela PIDE, pela introdução real em tom grave em que dizia que «a caça estava a saque». Defensor do terreno livre na sua juventude, passa, por esta altura, a legislador e preservador das coutadas.

Escrevendo verdades sobre a lei da caça, os coutos e os caçadores, foi censurado mais do que uma vez, tanto pelo lápis azul da PIDE como após a revolução

João Bravo Jr

Publica em 1982 o famosíssimo livro «A Propósito de Caça» em que faz uma compilação dos melhores artigos da revista «Diana», e acrescenta alguns textos inéditos: "têm sido alguns os que, especialmente nos últimos anos, me têm falado em fazer publicar, num só volume, o que sobre caçadas e caça escrevi, bem ou mal, durante dezenas de anos.

Argumentam estes que, através dos meus escritos, se poderá não só refazer parte de um período importante da história cinegético-venatória portuguesa mas, ainda, colher elementos para uma futura lei da caça."

Devido ao enorme sucesso desta obra e à sua tremenda procura, que ostentava 752 páginas de um valor documental assombroso, sendo-o tanto ao nível da Caça propriamente dita, com imensas gravuras, narrações pessoais e de terceiros que relatam histórias e se debruçam sobre a temática da organização cinegética, como ao nível da história recente deste País, decide compilar uma versão mais curta em 1988, chamando-lhe “Ainda a Propósito de Caça”, com as histórias mais relevantes para o autor, com o objectivo de colmatar variadíssimos pedidos de caçadores que não tinham ido a tempo de comprar o livro atempadamente e por este se encontrar esgotado desde o seu primeiro ano de lançamento.

“Caça Coutos Caçadores” é publicado na década de 90, após a polémica discussão na comunicação social com Miguel Sousa Tavares, que tomava partido a favor do terreno livre e se insurgia contra a caça os coutos. Esta troca de pontos de vista teve proporções ao nível nacional, com cartas dirigidas em conhecidos jornais diários e semanários, culminando com a conversão de Miguel Sousa Tavares num viciado e assíduo caçador. Neste livro, João Maria Bravo, escreve um ensaio sobre a nova lei da caça e define linhas de conduta como melhorar as coutadas e preservar a caça, fomentando a sua criação «in-loco», progredindo como uma indústria e argumento de expansão e divulgação através do turismo seleccionado em Portugal e alargando os postos de trabalho, gerando economia ao fixar pessoas em regiões com graves problemas de desertificação.

Convidado para vários debates televisivos antes de 1974 e após a revolução , é de sublinhar o episódio com o ministro da Agricultura Capoula dos Santos, do governo de António Guterres no programa “Grande Reportagem” moderado pelo próprio Miguel Sousa Tavares, no decorrer do ano de 1997, meses antes de sofrer o AVC.

João Maria Bravo, cilindrou friamente o Sr. Ministro, que era adepto e defensor do terreno livre ainda nos dias que decorriam, fazendo-o repensar na sua posição e conseguindo defender os coutos, os caçadores e a caça através de um conhecimento incisivo e pormenorizado, de uma forma que levou o Ministro a impedir que um referendo fosse lançado e que as leis não fossem revistas ou alteradas.

Infelizmente, após tal feito, não pode continuar a defender a caça como gostaria, através de uma defesa exaustiva em aparições públicas, devido a dificuldades de saúde.

De todas as formas, nunca deixou de dar a mão a quem lhe pedia ajuda e em 1998, aparece como co-autor de um livro chamado “Oito Séculos de Caça em Portugal” juntamente com Miguel Sanches Baena, sendo esta a sua última obra conhecida.

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